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28/06/2002Gás poderá gerar 10% da energia

Rio, 28 de Junho de 2002 - Serão investidos US$ 4 bilhões, entre 2002 e 2006, em projetos de exploração, produção e distribuição, incluindo-se aí a expansão da atual malha do Nordeste. O ano de 2005 poderá registrar uma significativa mudança na matriz energética brasileira. O gás natural, que aos poucos vem conquistando seu espaço no mercado interno, deverá ocupar uma fatia de cerca de 10%, contra tímidos 3% dos dias atuais. É com esta expectativa que tem trabalhado o governo brasileiro. E diante desse quadro, a Petrobras, ainda hoje a detentora da grande parcela do gás comercializado no País, programa investimentos de cerca de US$ 4 bilhões, para o período de 2002 a 2006. Nas áreas de exploração e produção serão aplicados US$ 1,7 bilhão. Os programas de infra-estrutura, a instalação de novos dutos e expansão da malha do Nordeste absorverão outros US$ 2 bilhões. Já as companhias de distribuição, nas quais a Petrobras tem participação acionária, aplicarão US$ 316 milhões. "O aumento do programa do gás está condicionado ao sucesso do mercado das termelétricas", destaca, porém, o gerente executivo de gás natural da Petrobras e presidente da Gaspetro, Luiz Rodolfo Landim. Controlada pela Petrobras, a Gaspetro detém 51% do capital da TBG, trecho do gasoduto Brasil-Bolívia em território brasileiro, de 11% do GTB (lado boliviano do gasoduto), além de participar acionariamente em 16 distribuidoras estaduais de gás e de 11 termelétricas que fazem parte do Programa Prioritário de Termeletricidade do Ministério das Minas e Energia (PPT). Participação modesta Ainda que chegue aos 10% almejados pelo governo - o que está condicionado à evolução da termeletricidade - o gás natural terá participação modesta na matriz energética. E o Brasil continuará bem distante de outros países consumidores do produto. Na matriz da Argentina, a fatia do gás é de 47%, no Canadá é de 28,1%, no Reino Unido é de 27,5%, nos Estados Unidos é de 24,1%, enquanto na Bolívia é de 21,4%. "No Brasil, a indústria do gás está engatinhando", destaca Landim, reconhecendo porém o avanço obtido ao final da década de 90. No segmento industrial, o consumo de gás natural deu saltos significativos, a partir de 1999, ano que marcou a entrada em operação do gasoduto Brasil-Bolívia. Segundo Landim, o mercado industrial cresceu a uma média de 30% ao ano. Para o período de 2002 a 2005, a expectativa é de crescimento de 35%. Ou seja, o mercado previsto pela Petrobras para 2005 é de 75 milhões de m³ por dia, dos quais 45 milhões de m³ por dia provenientes de reservas próprias. Dos 75 m³ por dia, a maior parcela - de acordo com as indicações atuais - deverá destinar-se às termelétricas (50,9%). As indústrias responderão por 41,2% das compras, enquanto os mercados automotivo e residencial terão parcelas menores, de 5% e 2,9%, respectivamente. É fato que a chegada do gás boliviano ao Brasil teve participação significativa para a formação deste mercado. Embora, por muito tempo, o potencial da Bolívia e sua capacidade de abastecer o Brasil tenham sido questionados pelo mercado brasileiro, o que gerou muita polêmica. Para o diretor da área internacional da Petrobras e presidente da Braspetro, Jorge Camargo, estas preocupações se justificavam quando se decidiu pela construção do gasoduto. Hoje, admite ele, o quadro é outro, pois quebrou-se um círculo vicioso: o gasoduto gerou investimentos na Bolívia, permitiu a ampliação de suas reservas e viabilizou a criação de um mercado para o gás natural no Brasil. Com capacidade para transportar 30 milhões de m³ de gás natural por dia, o gasoduto Brasil-Bolívia exigiu investimentos de US$ 2 bilhões. Tem 3.150 quilômetros de extensão, dos quais 2.600 cortam estados brasileiros que respondem por 82% da produção industrial do País - Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Preços inferiores Além da inauguração do Brasil-Bolívia, outros fatores têm pesado para que o gás adquira mais "status" na matriz energética brasileira. É mais limpo, em termos ambientais, e tem preços inferiores ao do petróleo. Daí, a expectativa na indústria do petróleo de que seu consumo crescerá a taxas superiores ao do óleo. A abertura do mercado brasileiro para exploração, produção, transporte e comercialização do gás natural também é considerado um estímulo à expansão do consumo do produto no Brasil. Tanto que a perspectiva de abertura do mercado do gás natural no Brasil, movimentou bastante os negócios na área: A BG, ex-British Gas, adquiriu participações no Gasoduto Brasil-Bolívia, tornou-se majoritária na Comgás (distribuidora em São Paulo) e hoje é uma concorrente da Petrobras, como importadora do gás boliviano. A anglo-holandesa Shell, que chegou ao Brasil em 1913, para atuar distribuição de derivados de petróleo, trilhou pelo mesmo caminho, tornando-se sócia na Comgás. Atualmente, segundo cálculos de Landim, as vendas globais de gás natural no Brasil situam-se em torno de 22 milhões de m³ por dia. A própria Petrobras é a grande consumidora de gás natural no Brasil. Em março último, segundo estatísticas da empresa, de uma produção total de 43 milhões de m³ por dia, 23 milhões de m³ foram utilizados nas atividades da empresa, outros 7 milhões de m³ foram queimados e as parcelas restantes - somadas aos 11 milhões de m³ importados da Bolívia - tiveram distribuição entre os demais consumidores nacionais. (Fátima Belchior)
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