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28/06/2002A estatal quer ir muito além do óleo

28 de Junho de 2002 - A diversificação de fontes - como termoelétrica, solar e eólica - pode consolidar a transformação da Petrobras em empresa de energia. UMA EMPRESA DE ENERGIA Há uma tendência internacional para que as tradicionais empresas de petróleo se tornem, cada vez mais, empresas de energia. A Shell, já há muitos anos, talvez tenha sido a pioneira, quando começou a pensar sobre o conceito de energia mais amplo. Eu diria que é um desenvolvimento lógico, porque você trabalha com um produto que um belo dia acabará. Para nós, no curto prazo, significou sairmos dos produtos derivados do petróleo para uma atuação muito mais ampla em termos de gás. Descobrimos reservas importantes de gás natural no Brasil, na Bolívia, temos algumas reservas de gás na Argentina. Gostaríamos de ter mais; ou seja, olhamos o suprimento de gás no Cone Sul como uma boa oportunidade de negócios para a Petrobras. Além disso, a Petrobras entrou no negócio de energia, em função de ser produtora, distribuidora e vendedora de gás. Fizemos investimentos em diversas termoelétricas que estão começando a produzir energia. Somos hoje uma empresa importante de energia no cenário brasileiro e temos uma produção própria quase 4 mil MW de energia, que nós estamos comercializando. E, finalmente, temos toda uma atividade de pesquisa e desenvolvimento sobre novas formas de energia - eólica, solar, biomassa. Precisamos estar plenamente atualizados em termos tecnológicos, de modo a poder acompanhar qualquer desenvolvimento no setor de energia no Brasil e no mundo. Isso, evidentemente, é um desafio para uma empresa como a nossa, que depende essencialmente do produto petróleo. Essa diversificação é importante. INVESTIR NA PETROQUÍMICA Eu não vejo nenhum conflito entre o conceito de uma empresa de energia e uma atuação na área petroquímica. Mas, francamente, a Petrobras hoje não tem um posicionamento estratégico ainda sobre a petroquímica. Na Petrobras, a indústria petroquímica sempre se inseriu na lógica da cadeia de produção dos produtos de petróleo. Produzia-se petróleo; uma parte disso era nafta e (a partir da) nafta agregava-se valor por meio da atividade petroquímica. Acho importante que se tenha um posicionamento estratégico na área, o que está sendo elaborado. Até porque nós temos participações acionárias históricas em todas as centrais e em diversas empresas da segunda geração. DESVERTICALIZAÇÃO As discussões de desverticalização, que são importantes, são parecidas com as que ocorrem no setor elétrico. No setor de gás você hoje tem uma atuação verticalizada. A Petrobras é produtora de gás - no Brasil e na Bolívia -, transportadora deste gás, é comercializadora e até consumidora na outra ponta. Então, a cadeia é toda verticalizada. A discussão regulatória, que cabe em algum momento -e aí, sim, é uma discussão de substância - é se deve haver algum tipo de desverticalização. No setor elétrico, entendeu-se que sim. E é possível que, em algum momento, no setor de gás também se entenda que sim. Mas esta é uma discussão de política pública e não da Petrobras. É uma discussão que também cabe para o petróleo, na medida em que os dutos de transporte e toda a parte da logística do petróleo - os terminais, armazenamento - são de propriedade da Petrobras. Esta questão tem duas vertentes: desverticalizando, a lógica é aumentar a competição do sistema. A outra vertente está na dificuldade de encorajar investimentos neste setor. Com a desverticalização, empresas como a Petrobras não terão interesse em investir no setor de transporte. Então, tem-se que descobrir quem vai realizar o investimento necessário. Esta é uma discussão que ocorre na Europa, nos Estados Unidos e ocorrerá no Brasil também. EXPANSÃO NO EXTERIOR A Petrobras não é ainda uma empresa multinacional. Nós temos, como parte do nosso plano estratégico, a meta de alcançar cerca de 20% de nossa atividade fora do Brasil até 2005. Hoje é 6%, 7%. É pouco. Queremos crescer lá fora e estamos caminhando neste sentido. Hoje nós temos uma atuação de pesquisa de exploração e de produção na costa da África (Nigéria, Angola), temos atividade crescente de exploração no Golfo do México e estamos atuando em diversos países da América Latina: exploração e produção na Colômbia, uma atuação muito importante na Bolívia. Hoje somos a principal companhia na Bolívia. Nós controlamos as refinarias bolivianas, as quais compramos num processo de privatização, controlamos cerca de 20% da distribuição de produtos na Bolívia, onde temos reservas de gás importantes. Da mesma maneira, temos crescido na Argentina. Achamos que a Argentina para nós é um mercado fundamental e pretendemos crescer lá. A troca de ativos entre Petrobras e Repsol-YPF foi uma oportunidade de negócio única, até em termos de captar recursos em função desta comunidade interesses, da complementaridade de interesses entre nós e a Repsol. Abrimos mão de alguns ativos no Brasil, o que é bom para a concorrência e para o mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, ganhamos acesso a ativos na Argentina, o que para nós é fundamental. Estamos contentes com a iniciativa que nos permitiu entrar na Argentina. NO MERCADO DE CAPITAIS A Petrobras, em linhas gerais, tem um terço das suas ações nas mãos do Tesouro Nacional, um terço nas mãos dos investidores estrangeiros e um terço com investidores nacionais - incluído um pedaço com o BNDES Participações - o BNDESpar. Todo o governo tem mais de um terço. Mas, como a BNDESpar já sinalizou que pretende vender as ações quando for oportuno, a visão mais precisa é um terço, um terço e um terço. A obtenção do "investment grade" (classificação dada a empresas ou países considerados de baixo ou de nenhum risco) continua sendo um dos principais objetivos corporativos. Quando olho a Petrobras, eu a vejo como uma companhia extraordinariamente competitiva. Competitiva em função das reservas que detém, da sua tecnologia, da qualidade de seus recursos humanos, dos ativos -que são de primeiríssima qualidade. E porque tem o comando dos mercados onde atua. É competitiva em tudo. Só há um ponto onde temos uma grande desvantagem competitiva, que é o custo do dinheiro. Nós captamos recursos a prazos menores do que nossos principais concorrentes (internacionais) e pagamos um custo muito mais elevado. Para uma empresa que atua num setor intensivo em capital, como é nosso caso, isto é um grande desafio. Portanto, a obtenção do "investment grade", com a conseqüente redução do custo capital, é um objetivo corporativo fundamental. E como se faz isto? Faz-se isto trabalhando na linha de melhorar a governança corporativa, de dar mais transparência à empresa, de ter um melhor relacionamento com os investidores. E faz-se isso mantendo uma política financeira prudente. Dentro desse conceito anunciamos, há pouco, a intenção de, no momento oportuno, nas condições adequadas, levantarmos mais recursos de capital. Nós queremos reduzir o grau de alavancagem da empresa de modo a sermos percebidos como empresa absolutamente conservadora na administração de suas operações financeiras. A idéia era que, no momento oportuno, venderíamos uma combinação de ações e de debêntures conversíveis mandatórias. GÁS NATURAL Estamos investindo essencialmente no desenvolvimento de reservas de gás natural já identificadas - tanto na Bacia de Campos, como na Argentina e na Bolívia. Neste momento, nosso foco de investimento tem sido, mais no escoamento do gás que já identificamos, do que na busca de novas reservas. Não identifico, no momento, nenhuma demanda efetiva (que justifique a) ampliação do gasoduto Brasil-Bolívia, na medida em que o gasoduto existente está ainda bastante ocioso. A discussão da ampliação do gasoduto, neste momento, é uma discussão teórica. A discussão prática é como é que se faz para aumentar a demanda de gás na matriz (energética) brasileira para poder ocupar o gasoduto existente. E, só depois disso, é que deveremos discutir a expansão. (A respeito do preço do gás, que alguns consideram elevado). Temos de separar os vários mercados. Para o mercado de gás veicular, o preço não está nada alto. Basta ver o grau de interesse pela sua utilização. A Petrobras também tem investido neste mercado, mas quem essencialmente investe são as distribuidoras. Mas, enfim, temos investido sim, e o gás veicular tem crescido. Não me parece que o preço do gás esteja muito alto para o mercado industrial. O gás é um produto altamente competitivo no mercado industrial, que tem crescido a taxas muito altas. O preço está muito alto, sim, mas para uso termoelétrico, porque a competição é com as usinas hidroelétricas, que têm um custo (de geração de energia) muito baixo. Então, não é que o preço do gás esteja alto. Você só vai ocupar o gasoduto, só vai ter um crescimento maior do mercado brasileiro para gás, se conseguir viabilizar o uso de uma parcela desse gás para a termoeletricidade. Se não, a infra-estrutura que está aí, está bem, está adequada. Para poder desenvolver o sistema de transporte de gás, (a Petrobras) tem de assumir compromissos. Ninguém investe num campo de gás na Bolívia para deixar o gás lá. Você só vai investir se tiver uma demanda. O mesmo ocorre com o transporte. Só vai gastar US$ 2 bilhões com gasoduto se tiver demanda para remunerar esse investimento. E o que a Petrobras fez foi assinar contratos firmes que justificaram o desenvolvimento dos campos bolivianos e a construção do gasoduto. Não dá para chegar agora, que está tudo pronto, e considerar que os US$ 2 bilhões viraram pó e (que nós) vamos transportar barato. Não dá, porque os contratos são amarrados no "project finance" do gasoduto. É para pagar quem financiou o gasoduto. Tenho sempre dito o seguinte: quer baixar o preço do (transporte pelo) gasoduto, tudo bem. É só alguém comprar este ativo da Petrobras pelo que investimos lá. Ou assumir os compromissos de pagamento com os bancos, que está tudo bem, não tem problema. A gente baixa (o preço do transporte). Aliás não é a Petrobras, é uma companhia que administra (o gasoduto), a Gasbol, da qual somos sócios. Ela pode baixar o preço do transporte desde que (for) desonerada de suas obrigações. Agora, construir um troço destes é caro. E você tem que remunerar o investimento. Este é um desafio que está em cima da mesa. Eu diria que a Petrobras é somente um dos produtores de gás na Bolívia. E se mercado brasileiro para gás não se viabilizar - e, mais uma vez, o gás no solo não vale nada - certamente, um projeto de exportação de gás liquefeito (pelo Pacífico, a partir da Bolívia) para os EUA se torna muito mais viável. Acho que a maior utilização do gás natural no Brasil depende dessa nova regulamentação que está saindo. As iniciativas foram anunciadas pelo governo e devem entrar em audiência pública nas próximas semanas. Acho que se você conseguir baixar o preço do gás termoelétrico a nível tal que ele se torne competitivo com a hidreletricidade vai ter demanda muito grande para o gás. Se não conseguir fazer isso, eu particularmente acho que a tendência de um projeto de exportação de gás para os Estados Unidos ficará bem mais viável. Em qualquer projeto de gás natural, entre 50 e 60% do consumo são para a termoeletricidade INVESTIMENTO EM REFINO Não existe racionalidade econômica de se investir em refinarias no mundo hoje. Não se constróem refinarias há mais de 20 anos, nem no Brasil e nem no Estados Unidos. As margens de refino são muito baixas. Do ponto de vista econômico, é melhor importar produtos do que investir em refinarias. No Brasil, no entanto, a discussão é mais complicada: é sob o ponto de vista da auto-suficiência do País; de tornar-se, ou não, auto-suficiente. Portanto, tem pouco a ver com a Petrobras. Tem a ver com uma política de governo: o Brasil quer ser auto-suficiente em refino, mesmo que esta não seja a decisão mais racional do ponto de vista econômico? Se o Brasil decidir que quer ser auto-suficiente, nós teremos que buscar os incentivos que deverão ser dados para que investidores invistam nisso. Até agora, têm havido iniciativas dos estados do Ceará e do Rio de Janeiro. Mas, aparentemente, os incentivos são insuficientes para atrair qualquer novo investidor. A função da Petrobras tem sido claramente a seguinte: comercialmente, não temos interesse em investir na área de refino. Já detemos quase o monopólio e gostaríamos de ter outros investidores. Se surgirem outros, a Petrobras se dispõe a participar minoritariamente. Se isso ajudar, poderemos participar. Mas estes projetos deverão ser desenvolvidos por outros investidores. Até porque esta é a função do órgão regulador, de encorajar um maior nível de competitividade no setor. Atualmente, a Petrobras está interessada em comprar capacidade de refino nos Estados Unidos, no sentido processar o petróleo que estamos exportando para lá, de modo a agregar valor. IMPORTAÇÃO DE DERIVADOS (A importação de derivados por diversos clientes da Petrobras) ainda é incipiente, mas é um sinal muito importante no sentido de que o mercado funciona. Achamos que introduz uma disciplina de mercado, você tem importação aberta, o que quer dizer que a Petrobras tem de concorrer, se preocupar com a capacidade de outros colocarem produtos refinados no mercado. Temos uma política comercial em elaboração. Estamos construindo contratos com os principais consumidores, mas a nossa política de preços estará sempre em função da competitividade via-a-vis de qualquer alternativa de fornecimento. No caso da nafta, por exemplo, o Brasil importa cerca de 30% (do consumo). Antigamente, a Petrobras importava esta nafta. Hoje, a compra está sendo feita diretamente pelas centrais petroquímicas. Se as centrais tiverem condições de comprar nafta no exterior a um preço inferior àquele que a Petrobras está lhes fornecendo, passarão a comprar 40, 60%. Estou vendendo nafta a preço suficientemente competitivo para que as centrais comprem a minha nafta. Se a discussão é que a petroquímica brasileira precisa de preço subsidiado para ter competitividade, aí não é mais com a Petrobras. O MEIO AMBIENTE Houve inegavelmente um extraordinário aumento da preocupação pública com questões ambientais. Quando éramos mais moços, não existia esta preocupação ambiental. O nível de exigência aumentou muito. E temos de constatar e admitir que a Petrobras, ao longo de muitos anos, não investiu o suficiente, não se preocupou suficientemente, com a questão ambiental. De modo que o "timing" da mudança, das exigências da sociedade foi maior do que o "timing" da mudança dos investimentos da Petrobras. E tivemos o infortúnio de uma série de acidentes ambientais. O acidente com a P36 (a plataforma de petróleo que afundou na Bacia de Campos em 2001) foi gravíssimo, com perdas de vidas humanas. A Petrobras teve uma sucessão de desastres e acidentes ambientais com repercussão enorme. O que fez? Inicialmente, anunciou um programa de investimento ambiental que é maior do que o de qualquer empresa do setor no mundo. Um investimento da ordem de US$ 1,5 bilhão, que vem se desenvolvendo - metade já realizado e metade será realizado até metade do ano que vem, em 2003. É o programa Pégaso, que tem várias vertentes. Primeira, investe-se na prevenção, revendo os dutos, modernizando seus instrumentos. Todas as instalações e unidades produtoras da Petrobras são certificadas em termos da segurança do meio ambiente. É um investimento muito ambicioso. Segunda, investe-se muito no treinamento, na conscientização das pessoas. Os operadores da Petrobras têm plena consciência da gravidade da questão ambiental. Terceira, investe-se no enfrentamento do acidente. Temos 11 centros de defesa ambiental, aptos a entrar em ação imediatamente. Têm prestado serviços inclusive para terceiros. São modernos, referências na indústria. Exemplo concreto foi a atuação em recente vazamento em Angra dos Reis. Em menos de 24 horas, a Petrobras atuou com 80 embarcações e 500 pessoas. E, em menos de 48 horas, todo o óleo foi recolhido. Além disso, construímos uma parceria com ampla com uma rede de entidades preocupadas com a questão ambiental - a nível municipal, estadual e com frentes parlamentares, de modo que a Petrobras atua em conjunto. E finalmente: transparência e divulgação. Antes, a Petrobras não sabia como se comunicar, estava sempre correndo atrás, não estava preparada para enfrentar desastres ambientais. Hoje, (ante) qualquer problema, somos os primeiros a dar a notícia. Queremos construir parcerias com comunidades locais, com toda a turma ambientalista e com a imprensa, de modo que os temas seja tratados com a maior transparência. Mas há dois comentários: primeiro, trabalhamos com uma indústria de alto risco poluente. Não existe risco zero no setor petróleo. Acidente ocorrerá. Temos que fazer o máximo para reduzi-lo e enfrentá-lo. Mas imaginar que não haverá qualquer tipo de acidente é, infelizmente, um sonho. Teremos de estar preparados para isso. E, segundo, acho que as reputações são difíceis de construir. Só se constrói a imagem de empresa preocupada com o meio ambiente com muito esforço, muito trabalho. Acho que a imagem da Petrobras já está mudando, mas não muda do dia para a noite. PESQUISA & TECNOLOGIA A Petrobras tem um comprometimento muito claro com o investimento em tecnologia. Nosso centro de pesquisas, o Cenpes, tem um investimento importante, em parceria, não só com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas com todo um leque de acadêmicos. São dois os principais focos da empresa em tecnologia: um é na área de águas profundas, onde temos uma vantagem competitiva. Somos uma companhia líder em exploração e produção de petróleo em águas profundas. Temos ganho prêmios por isso e temos alcançado as principais metas em produção de águas profundas. O meu pessoal diz que, aos poucos, a empresa irá na direção de depósitos em profundidades maiores. No momento, nosso principal desafio não é tanto para a exploração, mas de produção das reservas já encontradas no nível de águas que está aí. O outro foco é o desenvolvimento da qualidade do nosso produto. Nós temos investido muito na parceria com a Williams, em tecnologia para a Fórmula 1, o que se reflete numa melhoria da qualidade das nossas gasolinas, do nosso óleo lubrificante. A ponta da produção e a do produto final estão no foco do nosso investimento.
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