1. Como funcionam os reajustes da tarifa de gás natural?
A tarifa praticada pela SCGÁS é regulada pela Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (ARESC). Enquanto o preço de outros combustíveis oscila esporadicamente, os repasses relacionados ao custo do gás natural e do transporte são realizados apenas duas vezes por ano, nos meses de janeiro e julho, conforme previsto nos mecanismos regulatórios vigentes.
Para garantir transparência ao mercado e aos consumidores, as projeções dos custos de aquisição do gás natural e do transporte são divulgadas mensalmente pela SCGÁS e podem ser consultadas no link: Projeções do Custo do Gás e Transporte
2. Por que a tarifa de gás é reajustada e como?
A tarifa de gás natural é reajustada por meio de um mecanismo regulatório chamado conta gráfica, estabelecido junto à ARESC. Esse mecanismo garante que o custo do gás natural e do transporte seja repassado ao mercado exatamente pelo valor pago pela concessionária aos supridores. A cada seis meses, é realizada uma análise para comparar o custo considerado na tarifa com o custo efetivamente pago pela SCGÁS durante o período. Caso exista alguma diferença, seja positiva ou negativa, ela é ajustada nas tarifas do semestre seguinte.
Dessa forma, a conta gráfica garante o equilíbrio entre concessionária e usuários, assegurando que nem a SCGÁS tenha ganhos ou perdas decorrentes das variações no custo do gás e do transporte, nem os consumidores paguem valores diferentes dos custos efetivamente praticados.
Exemplo:
Imagine que, ao longo de um semestre, a tarifa tenha sido calculada considerando um determinado custo de aquisição do gás. Se, na prática, o valor pago pela SCGÁS aos fornecedores foi maior do que o previsto, essa diferença será incorporada ao reajuste seguinte. Da mesma forma, se o custo real tiver sido menor do que o estimado, a diferença será devolvida aos consumidores por meio de uma redução no ajuste subsequente.
3. Por que a tarifa do gás natural teve reajuste médio de 12,5% a partir de 01/07/2026?
O reajuste de julho é influenciado pelo aumento dos custos de aquisição do gás natural e do transporte, fatores que compõem a maior parcela da tarifa.
O mercado de gás natural está conectado ao cenário global de energia. A precificação da molécula de gás é em US$/mmbtu e o valor unitário dessa parcela em grande parte dos contratos de fornecimento utiliza referências ligadas ao mercado internacional de petróleo, como o Brent, além de sofrer influência da variação do dólar e dos custos de transporte. Questões geopolíticas, oscilações de oferta e demanda e movimentos do mercado energético mundial também impactam diretamente esses custos.
Entre janeiro e abril de 2026, por exemplo, o preço do barril de petróleo Brent passou de aproximadamente US$ 67 para US$ 117, uma alta acumulada de cerca de 75%. Como o petróleo é uma das principais referências para a formação do preço do gás natural, esse movimento contribuiu diretamente para a elevação dos custos de suprimento.
É importante destacar, porém, que os esforços contínuos realizados pela SCGÁS desde 2022 na diversificação de supridores, na renegociação de contratos de suprimento e transporte, na gestão estratégica de seu portfólio de compras e a eficiência da equipe responsável pela gestão do suprimento e transporte, permitiram mitigar os efeitos do cenário internacional sobre os consumidores catarinenses. A partir de janeiro de 2026, por exemplo, a SCGÁS já passou a incorporar nos contratos não apenas o Brent como indexador da molécula, mas também o Henry-Hub, como estratégia para mitigação das oscilações do petróleo. Tal incorporação tem auxiliado a suavizar um pouco o impacto do repasse de 01 de julho de 2026.
4. O aumento tem relação com a situação internacional?
Sim. O cenário internacional tem influência direta sobre os preços da energia em todo o mundo e nos contratos de gás, tem impacto direto no preço da molécula.
Recentemente, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, especialmente envolvendo Irã e Israel, gerou preocupação nos mercados globais devido ao risco de interrupções no fornecimento de petróleo e gás. Como consequência, houve uma valorização do petróleo nos mercados internacionais.
No caso do gás natural, o aumento do preço do petróleo eleva os custos da molécula de gás já que o petróleo tipo Brent é amplamente utilizado no Brasil como referência nos contratos de fornecimento.
5. Como é formada a tarifa do gás natural?
A tarifa do gás natural é composta por quatro parcelas principais:
47% – Custo da molécula de gás natural;
13% – Transporte do gás até Santa Catarina;
20% – Distribuição (operação, manutenção e expansão da rede);
20% – Tributos (ICMS, PIS e COFINS).
Assim, 60% da tarifa está relacionada ao custo do gás e do transporte, componentes influenciados por fatores como o preço internacional do petróleo, a cotação do dólar e as condições do mercado global de energia.
6. O que representa a parcela de distribuição?
A distribuição é a etapa responsável por levar o gás natural até residências, indústrias, comércios, hospitais e postos de GNV. Essa parcela remunera os investimentos realizados na implantação da infraestrutura, além de custear a operação, manutenção, segurança e expansão da rede de distribuição.
Os recursos da distribuição são utilizados para:
· Operação permanente da rede;
· Monitoramento e segurança operacional;
· Manutenção preventiva e corretiva;
· Atendimento aos clientes;
· Ampliação da infraestrutura;
· Cumprimento das exigências regulatórias.
7. Existe o risco de falta de gás por causa dos conflitos geopolíticos?
Não há risco de desabastecimento de gás natural em Santa Catarina em função dos conflitos geopolíticos internacionais.
Embora eventos como guerras e tensões internacionais possam impactar os preços da energia no mercado global, o principal efeito observado atualmente é sobre os custos de aquisição do gás natural, e não sobre a disponibilidade do produto.
Além disso, o Brasil possui uma matriz de suprimento diversificada, com cerca de 70% do gás consumido em Santa Catarina proveniente da produção nacional e aproximadamente 30% oriundo da Bolívia, o que contribui para a segurança do abastecimento. Os contratos de suprimento de gás da SCGÁS, porém, não possuem origem preestabelecida, de forma que, mesmo não havendo injeção de gás na Bolívia, ele poderá vir 100% da produção nacional.
8. O gás natural continua sendo competitivo?
Sim. Além da segurança e do fornecimento contínuo, o gás natural mantém vantagens operacionais e ambientais importantes para indústrias, comércios, residências e o setor de transportes, principalmente em comparação com outros combustíveis.
9. O que a SCGÁS faz para reduzir impactos aos consumidores?
A SCGÁS atua continuamente para aumentar a competitividade do gás natural em Santa Catarina por meio da busca por eficiência operacional, diversificação de fornecedores, expansão da infraestrutura e desenvolvimento de novas alternativas energéticas, como o biometano.
Além disso, a Companhia realiza uma gestão ativa dos contratos de suprimento e transporte de gás natural, negociando condições mais competitivas junto aos fornecedores e transportadores. Em 2025, essas ações foram responsáveis por cerca de 80% da redução observada nos custos de gás e transporte, contribuindo para que Santa Catarina alcançasse o menor custo desses componentes dos últimos cinco anos.
Entre as iniciativas adotadas estão a renegociação de contratos de transporte e suprimento, o balanceamento entre diferentes fornecedores, a comercialização de excedentes contratuais e o monitoramento diário da demanda para garantir maior eficiência na contratação dos volumes necessários.
Como resultado desse trabalho, a tarifa média do mercado cativo catarinense registrou uma redução média de 12% em janeiro de 2025 e reduziu em média 36% desde janeiro de 2023.
10. Onde posso obter mais informações?
Mais informações podem ser obtidas pelos canais oficiais de atendimento da SCGÁS, pelo site institucional e pelo telefone 0800 048 5050, que também é WhatsApp.