Produzido a partir da purificação do biogás, o biometano é um combustível renovável que pode ser utilizado nas mesmas aplicações do gás natural, como em indústrias, comércios, residências e veículos. Com características físico-químicas semelhantes às do gás natural, ele também pode ser distribuído pela mesma infraestrutura de gás canalizado, desde que atenda aos padrões técnicos e regulatórios estabelecidos para sua injeção na rede.
O biogás é gerado pela decomposição de matéria orgânica na ausência de oxigênio. Esse processo ocorre em diferentes tipos de resíduos, como os provenientes da agropecuária, de aterros sanitários, de estações de tratamento de esgoto e da indústria. Sua composição é formada principalmente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), além de pequenas quantidades de outros gases.
Para que possa ser utilizado da mesma forma que o gás natural, o biogás passa por um processo de purificação. Nessa etapa, são removidos o dióxido de carbono, a umidade e outras impurezas, aumentando a concentração de metano. O resultado desse processo é o biometano, um combustível que atende às especificações necessárias para diferentes aplicações energéticas.
Quando produzido dentro dos padrões de qualidade exigidos pelos órgãos reguladores, o biometano pode ser injetado na rede de distribuição de gás canalizado. A partir desse ponto, ele percorre a mesma infraestrutura utilizada pelo gás natural até chegar aos consumidores. Por possuir características compatíveis, o biometano é amplamente intercambiável com o gás natural, permitindo sua utilização nos mesmos sistemas de forma segura e eficiente, em conformidade com as especificações técnicas aplicáveis.
A possibilidade de utilizar a infraestrutura já existente para distribuir o biometano amplia as alternativas de fornecimento de gás e favorece o aproveitamento energético de resíduos orgânicos. Dependendo da localização das unidades produtoras, o combustível renovável pode ser injetado diretamente na rede ou transportado em carretas, na forma comprimida ou liquefeita, até pontos de consumo ou de conexão com o sistema de distribuição.
No Brasil, o potencial de produção de biometano está associado à disponibilidade de resíduos provenientes da agropecuária, do saneamento, da indústria e dos resíduos sólidos urbanos. O aproveitamento desses materiais para geração de energia é apontado como uma alternativa para diversificar a matriz energética, reduzir emissões de gases de efeito estufa e promover o uso mais eficiente dos resíduos orgânicos.
A expansão da produção de biometano e sua integração à infraestrutura de distribuição de gás canalizado dependem da evolução dos projetos de produção, da disponibilidade de conexão à rede e do atendimento aos requisitos técnicos e regulatórios que garantem a segurança e a qualidade do combustível distribuído.
Primeiro contrato de biometano em Santa Catarina
O primeiro contrato de distribuição de biometano por rede de gás canalizado em Santa Catarina foi efetivado em julho desse ano. Participaram nas assinaturas do documento a SCGÁS, a H2A Bioenergia e a VOSSKO. Pelo modelo, a H2A Bioenergia é responsável pela produção do combustível renovável, a SCGÁS realiza sua distribuição por meio da infraestrutura de gás canalizado e a VOSSKO passa a ser a primeira consumidora atendida com biometano transportado pela rede no estado.
O contrato integra a usina da H2A Bioenergia, localizada em Campos Novos (SC), à malha de distribuição da SCGÁS, permitindo que o combustível renovável seja injetado na rede e chegue ao consumidor utilizando a mesma infraestrutura empregada para o gás natural. No caso desta unidade, o biogás é produzido a partir de resíduos da suinocultura e, após o processo de purificação, convertido em biometano e disponibilizado aos consumidores conectados na rede de distribuição de gás canalizado.
O contrato integra, por meio de carretas de biometano comprimido, a usina da H2A Bioenergia em Campos Novos (SC), à malha de distribuição da SCGÁS, em Lages. Isso permite que o combustível renovável seja disponibilizado aos consumidores conectados ao sistema por meio da infraestrutura de distribuição de gás. No caso desta unidade, o biogás é produzido a partir de resíduos da suinocultura e, após o processo de purificação, convertido em biometano, é injetado na rede de gás canalizado. A previsão de que o biometano seja efetivamente injetado e distribuído na rede da SCGÁS é no final deste ano.
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