WhatsApp Botão Alerta 0800 048 5050
  • Agência Virtual
  • Notícias

    Por que a tarifa do gás natural varia entre os estados brasileiros?

    Quem compara a tarifa do gás natural entre diferentes estados brasileiros encontra valores distintos. À primeira vista, a diferença pode parecer contraditória, mas a explicação está na própria estrutura do mercado de gás natural no país. Questões como localização geográfica, disponibilidade de gás, infraestrutura de transporte, perfil do mercado consumidor e características da rede de distribuição influenciam a composição do valor pago pelos consumidores.

    O preço pago pelo consumidor não é definido apenas pela distribuidora estadual. Antes de chegar às indústrias, aos estabelecimentos comerciais, aos postos de combustíveis ou às residências, o gás percorre uma cadeia que envolve produção e processamento, transporte e distribuição. Em cada uma dessas etapas existem custos que variam de acordo com as características econômicas e geográficas de cada região.

    De forma geral, a tarifa é composta, principalmente, por três elementos: custo de aquisição do gás natural, custo de transporte até o estado e a margem de distribuição, destinada a remunerar os investimentos realizados pelas concessionárias para construir, operar e manter a rede de gasodutos. Além desses componentes, também têm os tributos.

    Custo do gás natural: a compra da molécula varia entre os mercados

    A maior parcela da tarifa corresponde ao custo de aquisição da molécula de gás natural. Esse valor é resultado dos contratos firmados entre as distribuidoras e os supridores de gás, mas não depende apenas da negociação comercial. As condições de suprimento variam conforme a oferta disponível no momento da aquisição, o volume contratado, prazo e compromissos, assim como a localização dos produtores e a escala de consumo de cada mercado. 

    Estados com grande demanda conseguem negociar volumes significativamente maiores de gás natural, enquanto mercados menores apresentam outra dinâmica de contratação. Da mesma forma, regiões que contam com maior disponibilidade de oferta ou produtores, podem conseguir melhores condições comerciais em função da competição entre os supridores. Quando existem poucos supridores, a competição diminui o que pode levar a piores condições comerciais e de preços.  

    Na prática, cada estado compra gás em condições diferentes. Imagine duas distribuidoras em estados diferentes. A primeira compra grandes volumes de gás diretamente de um produtor localizado a poucos quilômetros de sua área de atuação. A segunda precisa contratar volumes menores e receber esse mesmo gás depois de percorrer centenas de quilômetros pela malha nacional. Embora o produto seja o mesmo, as condições de contratação e de fornecimento são diferentes, o que influencia o custo de aquisição da molécula e, consequentemente, a tarifa final.

    Transporte: a distância entre a produção e o estado influencia o custo

     Outro fator que diferencia as tarifas entre os estados é o transporte. Depois de produzido ou importado, o gás natural percorre centenas ou até milhares de quilômetros por uma rede nacional de gasodutos de alta pressão até chegar às distribuidoras estaduais. Esse deslocamento é realizado pelas empresas transportadoras e possui um custo próprio, que é repassado na tarifa. 

    A infraestrutura brasileira de transporte não está distribuída de forma uniforme. Algumas regiões estão mais próximas dos principais polos produtores, das unidades de processamento e dos pontos de entrada do gás no país. Outras dependem de trajetos mais longos para receber o combustível.

    Essa diferença geográfica faz com que os custos de transporte também sejam diferentes. Estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, estão conectados à principal malha nacional de transporte próximo de importantes centros de produção e processamento de gás natural. A menor distância percorrida reduz parte dos custos logísticos envolvidos.

    Em alguns estados do Nordeste, a presença de campos produtores próximos aos mercados consumidores também influencia essa etapa. Nessas regiões, parte do gás percorre distâncias menores antes de chegar às distribuidoras.

    Já na Região Sul, a realidade é diferente. Como não há a mesma disponibilidade de produção local observada em outras regiões, o gás precisa percorrer trajetos maiores pela malha nacional até chegar aos estados sulistas. Esse deslocamento adicional é um dos fatores considerados na composição da tarifa do transporte do gás.

    Distribuição: o gás também exige investimentos diferentes em cada estado 

    Esses custos compõem a chamada margem de distribuição, parcela da tarifa destinada a remunerar a infraestrutura necessária para que o gás chegue aos consumidores com segurança e continuidade. O valor varia conforme as características de cada mercado.

     Em estados onde a atividade econômica está concentrada em poucas cidades, a rede de distribuição tende a ser mais compacta. Já mercados com polos industriais distribuídos em diferentes regiões demandam uma malha mais extensa, o que amplia a necessidade de investimentos em expansão, operação e manutenção.

    A escala da operação também influencia a composição desses custos. Distribuidoras que atendem um número maior de consumidores e distribuem volumes mais elevados de gás conseguem diluir parte dos custos fixos da infraestrutura entre uma base mais ampla de clientes. Já mercados menores ou em expansão apresentam uma dinâmica diferente, uma vez que investimentos como construção de gasodutos, operação da rede e manutenção precisam ser sustentados por um volume menor de consumo.

    Santa Catarina é um exemplo dessa configuração. Com uma economia descentralizada e formada por diversos polos industriais, o estado exige uma rede capaz de atender diversos municípios com diferentes perfis econômicos. Dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (ABEGÁS) mostram que Santa Catarina possui a terceira maior extensão de rede de distribuição do país, com mais de 1.700 quilômetros, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro — estados que contam com mais de uma concessionária de gás natural. A infraestrutura atende 71 municípios catarinenses, o segundo maior número entre as distribuidoras brasileiras.

    Ao mesmo tempo, o mercado catarinense possui uma escala diferente da observada em estados como São Paulo. Enquanto a Comgás, uma distribuidora com mais de 150 anos de operação, distribui cerca de 11,9 milhões de metros cúbicos de gás por dia para aproximadamente 2,84 milhões de consumidores, a SCGÁS, com 27 anos de operação, distribui cerca de 1,6 milhão de metros cúbicos diários para uma base de aproximadamente 37 mil clientes. Essa diferença de escala também influencia a forma como parte dos custos da operação é distribuída entre os consumidores.

    A tarifa é resultado de um conjunto de fatores

    Embora seja comum comparar as tarifas de gás natural entre diferentes estados, especialistas do setor destacam que essa análise deve considerar toda a cadeia de fornecimento. O valor pago pelo consumidor é resultado da combinação de fatores como as condições de contratação da molécula de gás, a distância entre os centros produtores e os mercados consumidores, a infraestrutura de transporte disponível, a extensão da rede de distribuição, o perfil econômico de cada estado e a escala de consumo.

     Por esse motivo, estados com características distintas apresentam estruturas de custos diferentes. Enquanto alguns mercados se beneficiam da proximidade com áreas produtoras ou de uma demanda mais concentrada, outros precisam investir em redes mais extensas para atender consumidores distribuídos por diferentes regiões ou dependem de trajetos mais longos para o abastecimento.

    Assim, as diferenças observadas entre as tarifas refletem, em grande parte, as particularidades de cada mercado de distribuição de gás natural. A formação do preço não depende de um único elemento, mas do conjunto de custos envolvidos desde a produção até a entrega do gás ao consumidor final, além dos tributos definidos por cada estado.

    Gerência de Marketing e Comunicação - SCGÁS

    (48) 3229-1112 / (48) 99922-8915

    gemac@scgas.com.br