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Entrevista: “Com segurança jurídica e regulatória, temos o maior plano de negócios da nossa história”

A SCGÁS, distribuidora de gás natural de Santa Catarina, começa a executar o seu mais audacioso plano de investimentos: R$ 457 milhões até 2025, com ênfase na interiorização da oferta de gás natural, mais atendimento a empresas comerciais, residências e postos de gás natural veicular (GNV), sem esquecer as indústrias. O presidente da companhia, Willian Anderson Lehmkuhl, afirma que isso só foi possível graças à construção de um ambiente regulatório seguro junto com a Agência Reguladora de Serviços Públicos de SC (Aresc).

Outro fato novo é a construção do terminal de regaseificação de gás natural liquefeito, na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, pela empresa New Fortress Energy, que vai duplicar a oferta do insumo no Estado. Passará de 2 milhões de metros cúbicos para 4 milhões, o que permitirá atrair mais investimentos.

Com graduação e mestrado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Willian Lehmkuhl é o primeiro presidente que veio dos quadros da própria empresa e tem feito uma gestão técnica. Entre os novos projetos estão instalações de redes isoladas de gás natural para o Planalto Norte e o Oeste de SC. Saiba mais sobre a atuação da SCGÁS na entrevista a seguir:

A SCGÁS, nas suas duas primeiras décadas de atuação, deu mais atenção ao atendimento para a indústria. O que vai priorizar a partir de agora?

A SCGÁS nasceu e se desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos para suprir as necessidades da indústria. Atendemos todo o litoral e mais algumas regiões do Estado. Completamos 50% da nossa concessão do serviço de gás, que vai até 2044. Também chegamos em Lages com unidade isolada de distribuição de gás natural comprimido. Agora, além dos nossos desafios geográficos para atendimento dessa indústria catarinense, a mudança do DNA é nos voltarmos, um pouco mais, para os mercados residencial e comercial também, além do gás natural veicular (GNV). Além disso, temos projeto no Planalto Norte. Vamos atender Três Barras e Canoinhas que têm grandes indústrias de celulose e papel. Depois, faremos projetos para Chapecó e São Lourenço do Oeste, com redes isoladas.

O Instituto do Meio Ambiente (IMA-SC) acaba de conceder a licença ambiental de instalação ao terminal de gás natural liquefeito em São Francisco do Sul. Qual será o impacto desse terminal na oferta de gás natural?

Esse projeto abre a possibilidade de a gente ter, através de um novo ponto de entrada de gás no sistema, uma diversidade maior de distribuidores. Hoje, o gás natural só chega a SC por um único caminho, que é o do gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). E o gasoduto, principalmente aqui no trecho sul do Brasil, já está na sua capacidade máxima de fornecimento. Com esse terminal de gás natural liquefeito no Estado, poderemos ter gás do Golfo do México, do Norte da África, da Austrália, do Oriente Médio... A gente pode ter gás de onde ele for mais acessível para ser adquirido. É competitividade, diversificação e é, também, segurança de suprimento. O terminal sozinho fornece 15 milhões de metros cúbicos, metade da capacidade do Gasbol. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul têm consumo semelhante, em torno de dois milhões de metros cúbicos por Estado, o que daria seis milhões na Região Sul, como o terminal é de 15 milhões, vai dobrar a capacidade de fornecimento na região. O terminal é um equipamento grande, que permite atender a nossa demanda e projetar a ampliação de um futuro bastante promissor em termos de fornecimento de gás e possibilidades geográficas porque a empresa se liberta, de certa maneira, dos gasodutos e consegue transportar via caminhões o gás liquefeito, para o Oeste de SC, por exemplo. O gasoduto permitirá também a construção de uma usina termelétrica a gás natural no Estado (projeto da Engie Brasil Energia).

A companhia acaba de anunciar plano de investimento de R$ 457 milhões até 2025. Como está sendo possível fazer planejamento de médio e longo prazo?

A SCGÁS passou quase uma década com índices de investimentos bastante baixos porque não tínhamos um ambiente maduro no Estado em termos de regulação e segurança jurídica para poder avançar com um plano de negócios mais agressivo. Desde 2019, conseguimos construir esse ambiente junto com a agência reguladora (Aresc), que vem se empenhando em um trabalho cada vez mais qualificado, técnico, robusto e nos tem dado a segurança necessária para colocar níveis de investimento cada vez maiores. Então, hoje, com segurança jurídica e regulatória, temos o maior plano de negócios da nossa história.

Em que regiões e setores serão investidos esses recursos?

Nosso plano prevê R$ 457 milhões para projetos em todos os segmentos, desde ramais estruturantes como o da Serra catarinense, que a gente vai concluir até 2024, passando por 16 municípios, até a ampliação da frota de GNV e saturação da oferta aos segmentos residencial e comercial, em cidades como Balneário Camboriú e Itapema. Vamos ligar mais de 122 novas indústrias em 80 cidades de SC. Essa região atendida já representa cerca de 70% do PIB do Estado e está na região onde a SCGÁS tem rede. Estamos bem posicionados para atendimento do PIB geograficamente e somos o segundo Estado no país em número de municípios atendidos. Ficamos só atrás de São Paulo.

Como será o projeto do Planalto Norte?

A região do Planalto Norte foi inserida no nosso plano de negócios. A gente deve atender um polo de indústria de papel bastante importante na região de Três Barras e Canoinhas. Teremos uma rede isolada com suprimento, inicialmente, via caminhões, e na sequência a gente faz, então, uma rede, estruturante, uma rede principal, conectando as duas pontas, exatamente o mesmo modelo de Lages, que já conta com rede isolada. A diferença é que com a rede local você tem a condição de antecipar em muitos anos a formação desse mercado e fazer esse atendimento. 

Decidimos investir no Planalto Norte porque lá acontece um dos maiores investimentos privados de SC, a ampliação da WestRock, em projeto de US$ 345 milhões (R$ 1,77 bilhão). Temos também a Mili e a Canoinhas Papéis. É uma região importante, fronteira a com o Paraná, tem uma dinâmica e uma história relevante aqui para o nosso Estado. Nós já atendemos o Planalto Norte, pelo menos até as cidades de Campo Alegre, São Bento do Sul e Rio Negrinho. É uma rede que começa em Jaraguá do Sul, sobre a serra de Corupá, e chega por São Bento do Sul e se ramifica um lado a Campo Alegre e outro a Rio Negrinho.

Quais são os prazos para esse atendimento às empresas de celulose e papel?

O nosso plano de negócios de cinco anos estabelece que o Planalto Norte, a gente lance a licitação ainda este ano, estamos na eminência de encaminhar o projeto para a aprovação da agência reguladora. Quando ela der ‘Ok’, a licitação está pronta para ser lançada. Concluída a licitação este ano ainda, a gente deve mobilizar a empreiteira vencedora ainda no final deste ano. Nossa melhor expectativa é começar as obras no finalzinho de 2021, e concluir até o final do ano que vem, para iniciarmos o ano de 2023 com ela operando.

O que a SCGás prevê para o Oeste catarinense?

Da mesma forma que atenderemos o Planalto Norte. Uma vez que a gente tem esse terminal da Babitonga operando, poderemos construir redes isoladas nas cidade-pólo já mapeadas como Chapecó, Caçador, Joaçaba, e, também, as cidades que têm grandes empresas do setor de proteína animal na região de Chapecó. A gente tem demandas, por exemplo, da Parati Alimentos, que foi comprada pela Kellogg's, e ali eles usam GLP, que é o gás de cozinha, que aumenta bastante os custos.

A SCGÁS tem registrado recordes de consumo. Existem empresas sem gás natural por falta do insumo ou está todo mundo sendo atendido?

Esse é um ponto bastante interessante de atenção, e que temos devotado aqui o esforço bastante grande, que é o seguinte: nenhuma empresa de SC ficou desabastecida com relação aos volumes de gás contratados através da SCGÁS, todo mundo está recebendo o gás que foi contratado, e até acima. Mas temos a região Sul do Estado que tem uma restrição de capacidade que já opera no limite. Nessa região, não temos a condição, no momento, de fornecer volumes adicionais. Então, estamos promovendo duas chamadas públicas, uma a gente chama de incremental, que é para trazer, temporariamente, e emergencialmente, o gás liquefeito por modal rodoviária, desde a Argentina, para ser fornecido especificamente no Sul do Estado.

No próximo mês, julho, haverá reajuste de tarifa do gás natural em Santa Catarina e o insumo vai subir. Vocês já tem ideia de quanto será a alta?

Nós temos publicado nos sites da SCGÁS e também é publicado nos sites da agência reguladora a formação de preços mês a mês. Basicamente, o gás segue a cotação do petróleo e o petróleo, como todos sabemos, é cotado em dólares. Então a gente sofre a influência dos dois parâmetros, que é a cotação do barril do petróleo e a taxa de câmbio para poder converter esse barril de petróleo em reais. 

No primeiro semestre do ano, isso fez com que o preço da gasolina aumentasse praticamente toda semana e, também, do diesel, o que resultou em reclamação dos caminhoneiros. O dólar subiu, o petróleo subiu também, aumentou o preço da gasolina e afetou o preso do óleo diesel. O gás ficou estável, porque a gente só vai repassar esse preço do petróleo e do dólar agora em julho. Então, de fato, a perspectiva é de aumento. Aumento esse que já aconteceu em outros Estados do país, como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, é o mesmo aumento, porque também temos o mesmo supridor, que é a Petrobrás.




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