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SCGÁS vai comprar gás natural no curto prazo para atender a indústria

A nova legislação, que estabelece mais alternativas para a compra de gás natural, permitirá à SCGÁS, distribuidora de Santa Catarina, estrear na aquisição do insumo para fornecimento no curto prazo. Segundo o presidente da companhia, Willian Anderson Lehmkuhl, nesta terça-feira (26) será divulgada uma chamada pública incremental para buscar fornecedor de gás natural liquefeito (GNL), a ser entregue no segundo semestre do ano que vem. Além disso, será realizada outra chamada no ano que vem para ampliação de fornecedores.?

O objetivo é atender a crescente demanda industrial catarinense, hoje com oferta de gás natural limitada a 2,1 milhões de metros cúbicos por dia pelo Gasbol, em contrato com a Petrobras. O setor industrial responde por 80% do consumo de gás natural no estado e a metade disso vai para o setor cerâmico. Em setembro, as vendas avançaram 11,06% para a indústria frente ao mesmo mês de 2019 e o total consumido foi recorde.

- O nosso mercado registra uma retomada acelerada da crise econômica que surpreendeu a todos. Hoje, a gente vende mais gás natural do que antes da pandemia e boa parte desse crescimento vem do Sul do Estado, do polo cerâmico. Nessa região, o Gasbol tem uma redução de diâmetro muito grande. Então, a própria Petrobras não tem condições de ofertar mais o insumo pelo gasoduto – explica o presidente da SCGás.

Entre as principais causas do crescimento do consumo de produtos cerâmicos estão as reformas de imóveis que avançaram em função da pandemia, e o crescimento da indústria da construção impulsionada pelo financiamento acessível do setor financeiro. Além disso, existem também as influências do câmbio.

- O que muitos clientes nos sinalizam é que não só a exportação é estimulada com o dólar alto, mas há, também, a barreira que esse câmbio impõe à entrada de produtos chineses. Aí, a demanda interna tem que ser suprida com produto local. Isso tem favorecido a indústria catarinense – detalha o presidente da SCGás.

A companhia informa que será comprado para a demanda incremental virá em modal alternativo, por meio de portos, em ISO containeres, ou por caminhão a partir da base de liquefação de Paulínea, São Paulo, ou da Argentina, via Uruguaiana, Rio Grande do Sul.

- Como a chamada pública é um processo aberto, podemos ser surpreendidos com outras ofertas que o mercado pode oferecer. Esse movimento de agora será um teste para a abertura futura do mercado do setor no Brasil – avalia LehmKuhl.

Segundo ele, o primeiro edital será aprovado nesta semana, até o final do ano será realizada a chamada específica para a compra e o fornecimento deve ser viabilizado até o segundo semestre do ano que vem.

O uso dessa alternativa de fornecimento não requer o transporte pelo Gasbol, o que reduz o preço do insumo entre 15% e 20%. A SCGÁS vai receber o gás liquefeito através de tancagem. Esse tanque será instalado na rede de distribuição da companhia que transporta até as indústrias. O custo menor sem o uso do Gasbol compensa o preço maior pago por vir em novo sistema de logística.

Outra solução bastante aguardada, segundo Lehmkuhl é a instalação do terminal de regaseificação na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul. Isso porque esse tipo de unidade permite diversas soluções. Pode guardar gás de diversos supridores, o que permite maior concorrência. Além disso, pode incluir o insumo no Gasbol, o que potencializa a pressão do gasoduto. O projeto prevê também uma usina térmica a gás natural.?

De acordo com o presidente da SCGÁS, o projeto do terminal da companhia norueguesa Golar Power já tem quase todas as licenças necessárias. Falta apenas a licença ambiental de instalação (LAI) para iniciar a implantação, processo que demora dois anos.

Tanto a compra de gás natural liquefeito no curto prazo, quando o terminal de regaseificação consistem em alternativas para ampliar o fornecimento de gás natural no interior do Estado, observa LehmKuhl. A SCGás instalou uma rede de distribuição independente em Lages e também está construindo o gasoduto até a Serra para atender as indústrias de papel e celulose da região diretamente, já que têm um grande potencial de consumo.

A empresa também registra demanda de outros polos industriais. Um deles é o de São Lourenço do Oeste, onde as indústrias de alimentos Parati, da americana Kellogg, a Casaredo e outras esperam pelo insumo.




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